DISTANTES, MAS CONECTADOS

Diversos

por RODRIGO VILAS BÔAS
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Para algumas pessoas, mais que um friozinho na barriga, a idéia de voar, por si só, é apavorante. Não por acaso, executivos que necessitam encarar uma ponte aérea pelo menos uma vez por semana, e mais longas horas de espera nos aeroportos, estão optando pela realização de videoconferências. Aliás, desde o acidente com o avião da Gol, no ano passado, quando a crise aérea estourou no País, as empresas vêm utilizando outros mecanismos para realizar suas reuniões. E não é que a “moda” pegou de vez?

ALTERNATIVAS – A Infinity Officing Network, empresa sediada em São Paulo e que possui salas de videoconferência em várias capitais do País, por exemplo, registrou aumento de 38,5% no uso da tecnologia em julho deste ano, em comparação ao mês anterior.

Ainda como conseqüência do acidente da TAM, a busca de alternativas de comunicação corporativa ganhou um novo impulso. Especializada em fornecimento de soluções para reuniões online, a empresa paulista ENG registrou um aumento de 150% na procura pelas licenças do Adobe Connect ferramenta utilizada nas comunicações, conferências e treinamentos corporativos pela internet.

Para driblar o caos aéreo, até empresas ligadas ao ramo de turismo estão optando pelas salas de videoconferência para realizar reuniões com pessoas localizadas em diferentes regiões. É o caso da Evel, uma agência de viagens que mantém contato com parceiros e até mesmo clientes pelo meio eletrônico.

Dessa forma, reduzimos custos em até 40%, sem falar no ganho de tempo”, comenta o diretor da empresa, Caio Guimarães. Na Bahia, a situação não é diferente.

Do ano passado até o momento, a Estado da Arte, uma das principais empresas do segmento tecnológico, por exemplo, registrou um incremento de 30% na procura pelo serviço. “E já faz algum tempo que a demanda tem sido maior”, assinala a gerente comercial da empresa na Bahia, Roberta Sant’Ana Castellar. Além de vender equipamentos e oferecer soluções de comunicação corporativa, a Estado da Arte aluga salas para executivos participarem de reuniões.

O preço do aluguel pela utilização do espaço por uma hora varia de R$ 600 a R$ 1.400, a depender do tipo de ambiente e do número de pessoas que podem ser acomodadas. Fazem parte da clientela grandes empresas, como a Petrobras.Existem opções mais em conta.

A Escritório Virtual (EV) cobra de R$ 13 a R$ 20 pela hora da utilização do espaço. Existem salas para até 20 pessoas e com monitor de 42 polegadas. A Shell é uma das 400 clientes da empresa. “Utilizar as salas é uma forma encontrada para reduzir custos e ganhar tempo”, considera Rosana Marques, uma das sócias da EV.

CRESCIMENTO  Apesar do crescimento da utilização da tecnologia para manter contato simultâneo com dezenas de pessoas em pontos distintos, Roberta Santana e Rosana Marques acreditam que a utilização das salas de videoconferência tende a crescer.

Tem executivo que ainda desconhece como a tecnologia funciona, explica Roberta. Não se tem muito conhecimento da estrutura de uma videoconferência. O pequeno empreendedor às vezes viaja daqui a São Paulo para participar de um encontro. É desnecessário, pondera Rosana.

Na avaliação de André Gustavo Barbosa, coordenador de Educação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), seção Bahia, o segmento das pequenas e médias empresas ainda desconhece a importância da videoconferência. A entidade, inclusive, disponibiliza salas para as empresas parceiras realizarem reuniões utilizando a tecnologia.

Boa parte das empresas de grande porte, por sua vez, adotou a videoconferência há muitos anos e já possui salas com estrutura projetada para incorporar a tecnologia. É o caso da Dow Brasil. Para o diretor de relações institucionais da empresa, Marconi Oliveira, a importância da videoconferência se deve, sobretudo, à tomada de decisões em curto espaço de tempo e à redução de custos.“Graças à tecnologia, participo de reuniões três a quatro vezes por semana sem precisar me deslocar”, diz. Segundo ele, embora a Dow Brasil disponha de salas equipadas há 10 anos, a utilização do recurso se intensificou nos últimos cinco anos.